terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O ballet e as nossas expectativas

Recebi um e-mail da leitora Aline Pinheiro Delfino que dizia:

"Gosto muito de dançar, sou apaixonada pela dança é algo que quando faço esqueço de tudo. Porém tenho receio de cursar, investir tempo e grana e não ser profissionalmente tudo aquilo que espero"

Imagino que esse sentimento não seja só dela, mas que passe pela cabeça de muita gente que ama dança e não sabe o que vai fazer com todo esse amor, que pode ser correspondido, ou não, da maneira que a gente espera.



São vários fatores que podemos pensar:

- Será que eu preciso me profissionalizar para fazer aquilo que eu amo? Eu posso dançar para sempre, sem viver de dança, mas vivendo a dança de uma maneira legal mas sem trabalhar com ela.

- Se eu quero me profissionalizar, porque não tentar? Quem já disse que não vai dar certo! Existem muitas maneiras de trabalhar com dança e nenhum trabalho vai ser fácil na vida. Todos terão investimento de tempo e dinheiro e todos podem não ser aquilo que esperamos.

- O que esperamos? O que é ser bem sucedido numa profissão? Acredito que é ser feliz! E se houver paixão e felicidade chegará perto daquilo que esperamos.

- Temos que preparar para lidar com a expectativa x realidade o tempo todo. Seja lá qual for nossa escolha pode dar certo como pode não dar. Mas temos que estar prontos não deixar nada nos traumatizar.

- Ponderar. Pontuar pontos positivos e negativos antes de fazermos nossas escolhas.

Mas não deixar de dançar. Uma vez que a gente dança, podemos deixar que ela saia da nossa vida.

Boa sorte para Aline e para quem estiver lendo esse post e estiver passando pela mesma dúvida.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A técnica no Ballet Clássico

Ouvimos muito falar em técnica no Ballet Clássico. Mas afinal, quando falamos em técnica estamos falando do que exatamente?



Estamos falando da união de algumas características próprias e fundamentos do ballet, como por exemplos: a prática do en dehors; a execução de passos e posições específicas; a postura, colocação e o alinhamento corporal e a verticalidade do corpo por sempre pensarmos no "para cima", ou seja, deixamos de dançar naturalmente e buscamos o aperfeiçoamento técnico baseado nessas regrinhas, tentando colocar esses princípios em nossa dança.

Ao estudarmos a técnica do ballet, aprendemos a linguagem desta forma de dança. Conhecermos o vocabulário e os conceitos irá nos ajudar a entender a essência do ballet clássico para tentarmos aplicar essa essência ao dançarmos. Este refinamento técnico requer exatidão e clareza dos movimentos, bem como a coordenação para trabalharmos cada parte do corpo separadamente.

Quanto melhor a execução técnica, quanto mais cuidadosamente os movimentos forem apresentados; quanto mais mantivermos esses conceitos durante a movimentação, melhor será nossa técnica. São muito detalhes que fizeram surgir a expressão que "O ballet é a mãe de outras danças", pois muitas outras modalidades incorporam a técnica do ballet em seus treinamentos.

Um bom bailarino consegue unir essa base técnica à sua emoção na hora de dançar! Claro que você pode encantar tecnicamente, mas dança é arte e arte tem que ter alma. Li esta frase e achei pertinente:  "Quanto mais seguro você estiver com a sua técnica, mais se sentirá livre para se entregar às emoções".

Para desenvolvermos esta técnica, que será o caminho para atingirmos um bom resultado em qualidade, precisamos praticar, com disciplina, dedicação e orientação de um professor. A limpidez das nossas ações nos deixará esteticamente bonitos.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Professora do baby pode/deve dançar junto com a turma?

Você pergunta o Mundo Bailarinístico responde. Pergunta da leitora Suzi "Olá boa tarde tenho uma dúvida fica ruim a professora de ballet dancar na ponta com uma coreografia do Baby class? Existe uma regra pra isso?"



Não há regras para isso!
É bem comum professoras dançarem junto com suas turmas de baby, seja de ponta ou de meia ponta.

Qual a minha opinião sobre isso?

Que a gente subestima a capacidade das nossas crianças quando a gente acredita que precisamos dançar junto para elas dançarem também, como se elas não fossem capazes de fazer sozinha ou de decorar as coreografias. Mas sim, elas são super capazes! Muito espertas e inteligentes.

Eu nunca dancei junto com meu baby, mas sempre estive por perto, bem perto, para elas se sentirem seguras e se algo desse muito errado, eu estaria por ali, mas nunca precisei intervir.

Acho que se dentro do contexto da sua coreografia ou espetáculo é cabível e interessante que a professora dance junto com as crianças, ok, você pode decidir por isso, mas caso contrário, deixe as mostrarem o que elas aprenderam, o que elas lembram do que viram com você nos ensaios. Prepare elas para não precisarem copiar de você ao invés de prepará-las para copiar de você. O trabalho é o mesmo.
 
Dryelle Almeida

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Ballet Iniciante: Devagar e sempre! Sem pressa para evoluir

Dançar ballet definitivamente não é algo simples.
Exige muito de nós fisicamente e emocionalmente. Também demanda tempo, disciplina e dedicação. Percebo uma ansiedade muito grande em quem está começando ballet, independente da idade. Todos almejando alcançar objetivos rapidamente, mas vamos com calma! Tudo em nossa vida, com relação a aprendizado, acontece devagar e tem o seu tempo.



Não adianta ter pressa para evoluir. Claro que, você pode evoluir mais ou menos de acordo com a quantidade de aulas que você faz, masssss, existe um tempo para absorver informações e transformá-las em movimentos e depois o tempo de limpá-los. Muitas vezes essa vontade de evoluir faz muita gente atropelar etapas e apresentação falsas evoluções, tecnicamente pobres.

No começo é super normal não conseguir fazer os passos. Não se preocupe com isso. Neste momento você precisa fazer bem feito os passos básicos, sempre dentro do seu nível. Pouco a pouco, introduzindo novas informações e novos passos.

Esse começo aparentemente mais simples e mais lento pode parecer desestimulante, mas é o ideal para crescer com consciência, sem fazer de qualquer jeito, sem lesões, sem achar que sabe fazer algo que não sabe.

Continuem. Não desistam! Não desanimem!
Devagar e sempre
Dryelle Almeida
Mundo Bailarinistico

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Aula de Ballet - Treino constante

Aulas de Ballet são para vida inteira! Não dá para ser bailarino sem ir para aula. Isso é algo que infelizmente muita gente não entende. Para ter um bom resultado é importante ir às aulas frequentemente. O ideal é que você tenha aulas pelo menos duas vezes por semana. Sabemos que às vezes só é possível fazer uma aula, então neste caso, procure não faltar.

Aliás,
procure não faltar em todos os casos! rs


Essa regularidade será fundamental para promover as adaptações musculares, articulares e cardiovasculares necessárias para o ganho de condicionamento e evolução técnica.

Quantas e quantas vezes a gente não vai para aula e depois quando voltamos sentimos como se tivéssemos voltado ao zero? Uma sensação de que estamos duros, piores do que na última aula... Isso acontece até em finais de semana. Quando pegamos um ritmo legal de ir para as aulas a gente sente muita diferença em nosso corpo, na execução dos passos, no fôlego para realizar os saltos, no eixo dos giros, na flexibilidade, na força abdominal! Enfim! Listaria mais muitos benefícios que só essa frequência oferece para nós.

Respeitar seus dias de descanso também é importante para não gerar fadiga e nem prejudicar seu desempenho. É no período de repouso que o organismo se recupera.

É isso queridos!
Compareçam às aulas!

Dryelle Almeida
Mundo Bailarinistico

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Para que serve sua flexibilidade?

Bailarinos vivem buscando mais flexibilidade. Vemos muitas escolas em que o foco das aulas inclusive são os alongamentos em longas aulas de abertura. Legal, fiquei mais flexível, coloco o umbigo no chão, zerei o grand ecart, puxo a perna na cabeça, mas e agora? Vou usar isso para que?



Já pararam para pensar?

Quanta gente mole e flexível vemos por aí sem técnica. Isso mesmo. No Ballet precisamos da flexibilidade para nos ajudar a fazermos os passos do ballet. Você não vai ver nenhuma bailarina abrir grand ecart no meio de uma variação. Porque eu digo isso? Para entenderem que essa abertura toda só serve se for para ser refletida na execução de um passo, como por exemplo em um grand jeté.

Então, na verdade a flexibilidade é o caminho. Ela não é onde queremos chegar. Logo, se a sua meta é zerar a abertura, saiba que essa meta precisa ser apenas a inicial, ou seja, precisa definir que quer zerar a abertura PARA alguma coisa e complementar com um objetivo dentro da técnica do ballet.

Não basta ter abertura, tem que ter abertura e usá-la para algo. Seja para ter um lindo arabesque, fazer um bom adágio, para as linhas dos seus saltos e developpés. "Vou usar essa borboleta que encosta no chão quando for fazer meu plié" caso contrário, se for para encostar no chão por encostar não faz muita diferença.

Tem muita gente que nasce flexível. Isso não faz dessas pessoas bailarinas.
A busca precisa ter pela técnica, a flexibilidade é mais um passo do caminho.

Dryelle Almeida
Mundo bailarinistico

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Aproveite suas férias do Ballet para...

Férias podem ser recomeços. Porque não aproveitá-las para fazer pequenas coisas que a gente vai deixando de lado durante o ano todo por causa da correria e das obrigações do nosso dia-a-dia? Não estou falando de cursos de férias, mas sim de coisas menores mesmo como:



... Lavar suas roupas
Deixar tudo bem limpinho! Claro que eu sei e espero que você lave suas roupas durante o ano né haha mas sempre fica alguma coisinha que você deixa para lavar depois, aquela blusa que sempre leva para aula, aquela perneira, ou a saia que fica na bolsa.

... Lavar suas sapatilhas
Isso mesmo. Deixar sua meia ponta com cara de nova. Lavando com cuidado para não estragar, deixando secar no sol.

... Organizar sua gaveta do ballet
Arrumar todos os itens na gaveta ou seja onde for que você guarde suas bailarinices. Durante o ano a gente vai jogando tudo no armário, nem sempre paramos para organizar. Este é um bom momento.

... Ler livros de Ballet
Sejam livros técnicos, para aumentar seu conhecimento ou livros em que o enredo envolva o ballet de alguma maneira.

... Separar coisas que não quer mais
Desapegar de coisas, roupas, sapatilhas e acessórios que você não usa mais mas estão em bom estado.

... Ver filmes e séries de Ballet ou Dança
Aproveitar as horas vagas para colocar o filmes e séries em dia

... Alongamentos
Crie uma rotina, mesmo que curta de alongamento diário para não ficar travada quando as aulas voltarem

... Saia para dançar
Faça programas que você consiga dançar ao sair. Um festa com seus amigos, ou um lugar em que as pessoas dancem

... Programas que envolvam a dança
Vá a um espetáculo, conheça uma escola nova, visite um museu que tenha obras relacionadas à dança, um workshop de dança

... Assista repertórios
Faça pipoca e veja repertórios completos

... Relaxe
Descanse ouvindo música clássica

... Vá ao médico
Sabe aquela dorzinha que incomodou nas aulas? Cuide dela! Vá ao médico, tente tratar, ir ao ortopedista ou ao fisioterapeuta.

Aproveite!

Dryelle Almeida
Mundo Bailarinistico.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Por que se presenteia às bailarinas de ballet com flores?

Foto: Olesya Nivikova por gene schiavone - pinterest
Quem já assistiu a um espetáculo de ballet já percebeu que as bailarinas sempre ganham flores no final da apresentação?

Mas por quê? Você sabe o motivo? Vamos falar um pouco sobre o motivo e matar essa curiosidade!

Como uma regra, somente mulheres recebem flores, isso é uma tradição do mundo do ballet.

As flores são normalmente dadas pelos teatros de ballet que apresentam o espetáculo em parceria empresas que financiam essa entrega de flores no final, afinal, flores são caras! É uma maneira de dizer ‘obrigada’ pelo espetáculo e esforço das bailarinas em proporcionar tamanha delicadeza, pelo treinamento e esforço para que a apresentação ocorresse bem. Flores são dadas como um gesto simples de valorização.

Essa prática começou em Londres (sem uma data definida), por um dono de um grande teatro que era apaixonado por Ballet, após um grande espetáculo do ‘Quebra-nozes’, tão emocionado, ele não pensou duas vezes em presentear todas as bailarinas para expressar o sentimento que ele sentiu aquela noite. Desde então essa prática passou a ser frequente, não só em seu Teatro, mas como em outros ao redor de Londres. Dizem também que era uma forma de agradar bailarinos, pois era uma classe que era muito mal remunerada.

Em apresentações no City Ballet e no American Ballet Theater, em Nova York, geralmente as flores são dadas pela companhia em noites de abertura e estreias em determinados papéis. Na Royal Opera House, porém, flores são entregues no palco em quase todas as apresentações, inclusive por fãs.

Os buquês devem ser feitos de tal modo que a bailarina consiga segurá-los durante os aplausos. “As flores devem ser dispostas e entrelaçadas firmemente em um formato alongado, para que a bailarina possa sustentá-las em um braço”, esclareceu Deborah Koolish, assistente pessoal de Peter Martins, mestre de balé no City Ballet. É preciso tirar os espinhos das rosas que poderiam estragar os figurinos e e assegurar que fique fácil de puxar flores do buquê, caso à bailarina queira oferecer alguma flor à outro bailarino, por exemplo.


Fonte: www.latinflores.com.br
www.gazetadopovo.com.br

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Não se compare à outros bailarinos

Diga não à comparação!
É isso mesmo. A nossa busca por sermos sempre melhores acaba fazendo com que façamos comparações. Lembrar que temos que ser melhores para nós e não melhor do que os outros é o primeiro passo. É comum ver bailarinos e bailarinas se comparando. Querendo ver se está melhor ou pior que os colegas e também se comparando em relação aos bailarinos de outras escolas. O ideal de perfeição bailarinística gera essa tendência.

O mundo do ballet é um mundo tão competitivo... Não deveria ser!!! Mas se tornou, infelizmente.

Você só deve se comparar apenas a si mesmo.
Todos os fatores que te fazem ser único são provas de que você deve evitar essas comparações.

Entenda que o corpo das outras pessoas são diferentes do seu. Também precisamos levar em consideração: a escola em que cada um faz aula, o tempo que já está praticando, a quantidade de horas que pratica por dia, se faz outras danças, ou não, o professor, as experiências de cada um, as facilidades e dificuldades para uma coisa ou outra, enfim, são muitos os fatores que nos diferenciam.

Essa comparação é desnecessária e pode te levar a ter inveja. Além disso, pode gerar um sentimento de inferioridade ou superioridade e esses dois sentimentos são ruins. Não podemos nos sentir nem  piores nem melhores do que ninguém.

Supere a si mesmo para evoluir e substitua a comparação por admiração!

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Entrando e saindo de cena

Entrar e sair de cena. Tá aí uma coisa simples que a gente fica bastante ansioso, pois apesar de simples é algo de muita importância, que muitas vezes passa batido por alguns professores e acaba "roubando a cena" de forma negativa aquela baguncinha básica na hora de entrar e de sair.
Lembrando que as vezes a gente sai e voltar no meio de uma coreografia, precisamos aparecer e desaparecer como em mágica!


Este momento exige orientação!
Professores, lembre-se de ensaiar isso com carinho!

Cuidados a serem tomados:

- Sabe por onde cada um entra e por onde cada um sai

- Explique que estes atos precisam ser discretos

- Caso esse sair de cena seja durante a coreografia, corram com elegância ao sair de cena

- Silêncio para entrar e sair

- Saiba para onde você vai antes de entrar

- Não "desmanche" enquanto não desaparecer, só desmonte quando estiver longe da boca de cena

- Pedir para ninguém ficar no meio do caminho nas coxias


Mundo Bailarinístico